Planeta MS-DOS: novo blog dedicado ao MS-DOS

Os amigos portugueses Filipe Veiga, Pedro Pimenta e Ricardo Lé lançaram no último dia 1º de setembro o Planeta MS-DOS, um blog dedicado ao (adivinhem?) MS-DOS. E eles já irão participar em novembro da Inércia Demoparty, evento da demoscene portuguesa. O Planeta MS-DOS é o irmão mais novo (ou um spin-off) do igualmente lusitano – e extremamente reconhecido e competente – Planeta Sinclair (que é capitaneado por André Luna Leão).

O que esperar do novo blog? Curiosidades e informações sobre revistas, livros, software e hardware da época, bem como novos projetos. “Traremos informações exclusivas acerca do que se fez em terras lusas e iremos preservar e divulgar revistas, documentação e, claro, M.I.A. – software que se sabe existir, mas que se desconhece o seu paradeiro, esperando assim mostrar que não é só nos anos 80 que Portugal tem história. Mais ainda, vamos divulgar todo o tipo de notícias relacionadas com novos projetos para MS-DOS, quer sejam aplicativos ou jogos, falar sobre o hardware, entre muitas outras surpresas”, diz o post de boas vindas.

Como amante do rico período do auge do MS-DOS (eles sabem que adoro coletâneas de sharewares e freewares, e conhecem parte do meu acervo), desejo todo sucesso do mundo à malta do Planeta MS-DOS!

Blue Force (Tsunami Games, 1993) para MS-DOS

Blue Force é um jogo adventure do tipo point-and-click para MS-DOS. Lançado em 1993 pela Tsunami Games, o jogo é do gênero policial e é de autoria do game designer e ex-policial norte-americano Jim Walls (que também participou da criação de alguns dos jogos da série Police Quest).

Blue Force (Tsunami Games, 1993) para MS-DOS | MARIO CAVALCANTI
Blue Force (Tsunami Games, 1993) para MS-DOS | MARIO CAVALCANTI

Esse CD-ROM original do Blue Force faz parte do meu acervo pessoal, e é um dos CDs de PC mais antigos que tenho. O jogo também foi lançado em disquetes de 3.5 polegadas. Como já mencionado, é de 1993, e faz parte de uma época gostosa em que os jogos multimídia ainda estavam se descobrindo. Na capa do encarte, vemos o selo que indica que o jogo é para MS-DOS e para monitores VGA. É da época também em que o Windows 3.11 já estava em evidência, mas os jogos para DOS ainda bombavam.

Blue Force (Tsunami Games, 1993) para MS-DOS | MARIO CAVALCANTI
Blue Force (Tsunami Games, 1993) para MS-DOS | MARIO CAVALCANTI
Blue Force (Tsunami Games, 1993) para MS-DOS | MARIO CAVALCANTI
Blue Force (Tsunami Games, 1993) para MS-DOS | MARIO CAVALCANTI
Blue Force (Tsunami Games, 1993) para MS-DOS | MARIO CAVALCANTI
Blue Force (Tsunami Games, 1993) para MS-DOS | MARIO CAVALCANTI

No jogo, que se passa no ano de 1995 (dois anos após o lançamento do jogo), estamos na pele do policial novato Jake Ryan, que decide reunir pistas para dar continuidade à investigação do assassinato de seu pai (também policial), ocorrido em 1984.

Blue Force (Tsunami Games, 1993) para MS-DOS | MARIO CAVALCANTI
Blue Force (Tsunami Games, 1993) para MS-DOS | MARIO CAVALCANTI
Blue Force (Tsunami Games, 1993) para MS-DOS | MARIO CAVALCANTI
Blue Force (Tsunami Games, 1993) para MS-DOS | MARIO CAVALCANTI
Blue Force (Tsunami Games, 1993) para MS-DOS | MARIO CAVALCANTI

Apesar de em 1996 a Computer Gaming World ter listado o Blue Force como o 37° pior jogo de computador já lançado, gosto muito desse título. Tem uma boa música de fundo (para dar o clima), falas durante o jogo e belos gráficos para a época.

Blue Force (Tsunami Games, 1993) para MS-DOS | MARIO CAVALCANTI

Imagitec CD-ROM 6 Pack com Rise of the Triad para MS-DOS (1994)

Foi ainda em meados dos anos 90, ali mais ou menos entre Wolfenstein 3D e Doom, que conheci Rise of the Triad (Apogee, 1994) — ou ROTT —, seguramente um dos principais precursores do gênero FPS. E recentemente consegui arrematar essa bela joia, uma das coletâneas de shareware em CD-ROM da Imagitec, com ROTT na capa e outros jogos de DOS.

Aliás, que linda cada. Quem conhece um pouco dos meus gostos no colecionismo retrô sabe que eu curto muito CD-ROMs de PC do início dos anos 90 e também coletâneas de shareware e freeware. Esse encarte é simplesmente lindo e carrega uma estética que me atrai muito nesse tipo de CD. Mais um que vai pra coleção. Mas vamos analisar cada cantinho desse encarte.

Imagitec CD-ROM 6 Pack com Rise of the Triad para MS-DOS (1994) | MARIO CAVALCANTI

A começar pela Imagitec. Para quem não sabe, a Imagitec Multimedia Corporation (ou simplesmente Imagitec) foi uma empresa canadense que produzia coletâneas de shareware. Ela foi criada em 1994 e, pasmem, descontinuada dois anos depois, bem ainda na Era de Ouro da Multimídia no PC. Muitas de suas coletâneas foram vendidas nos Estados Unidos. E como todo CD do tipo que era vendido nos EUA, muitos chegavam aqui no Brasil por pessoas que viajavam para lá, ou através de kits multimídia, ou através de softhouses (leia piratohouses) e comerciantes de micros 386 e 486. Mais ou menos nessa época, em meados dos anos 90, eu era sócio de uma locadora de CD-ROMs para PC que tinha vários CDs de coletâneas, e eu ouvia muito essas histórias de como eles obtinham os títulos.

Voltando ao encarte, no canto superior esquerdo vemos o selo “Imagitec CD-ROM 6 Pack“, que mostrava que ali vinham seis jogos (no caso desse 6 Pack, além do Rise of the Triad vinha ainda Hocus Pocus, Alien Carnage, Monster Bash, Boppin e Wacky Wheels). Joguei bastante na época Alien Carnage e Hocus Pocus. Existiam ainda outras linhas, como a “Imagitec CD-ROM 20 Pack“, que tinha a mesma estética, porém trazendo vinte jogos.

Imagitec CD-ROM 6 Pack com Rise of the Triad para MS-DOS (1994) | MARIO CAVALCANTI

No canto inferior esquerdo vemos o logo da grande Apogee Software, desenvolvedora de ROTT. Esse logo é muito nostálgico. A Apogee era por vezes sinônimo de jogos de MS-DOS de qualidade e adotava bastante o modelo de shareware na distribuição de seus títulos.

Imagitec CD-ROM 6 Pack com Rise of the Triad para MS-DOS (1994) | MARIO CAVALCANTI

No lado direito do encarte vemos os outros cinco jogos já mencionados e, mais abaixo, outro selo, Imagination Station, que acompanha as coletâneas da Imagitec. Já no topo do encarte, vinha, sabe-se lá por quê, o descritivo “virtual reality” e mais um selo, Multi-Lingual Advantage, que indicava que o menu da coletânea estava disponível em vários idiomas, inclusive o português.

Imagitec CD-ROM 6 Pack com Rise of the Triad para MS-DOS (1994) | MARIO CAVALCANTI

Imagitec CD-ROM 6 Pack com Rise of the Triad para MS-DOS (1994) | MARIO CAVALCANTI

E falando em menu, mais uma curiosidade: a parte interna do encarte trazia um código (não chegava a ser um serial number, era um código mesmo), que servia para dar acesso ao menu para rodar os jogos (uma espécie de proteção bobinha criada pela Imagitec para dar mais legitimidade às suas coletâneas).

Voyeur (Interplay, 1994) para MS-DOS

Voyeur está na categoria de jogo-filme interativo. Lançado pela Philips Interactive em 1993 primeiramente para o Philips CD-i, o game ganhou em 1994 uma versão para MS-DOS pelas mãos da Interplay (essa que aparece na foto, que eu adquiri em uma feirinha de antiguidades) e uma para Mac pelas mãos da MacPlay.

Voyeur (Interplay, 1994) para MS-DOS | MARIO CAVALCANTI

Voyeur (Interplay, 1994) para MS-DOS | MARIO CAVALCANTI

Voyeur (Interplay, 1994) para MS-DOS | MARIO CAVALCANTI

Em Voyeur o jogador assume o papel de um detetive particular contratado para encontrar provas que possam derrubar o corrupto Reed Hawke, interpretado no jogo pelo ator e roteirista americano Robert Culp (que faleceu em março de 2010).

Voyeur (Interplay, 1994) para MS-DOS | MARIO CAVALCANTI

Voyeur (Interplay, 1994) para MS-DOS | MARIO CAVALCANTI

Voyeur (Interplay, 1994) para MS-DOS | MARIO CAVALCANTI

Voyeur (Interplay, 1994) para MS-DOS | MARIO CAVALCANTI

Na época o jogo se destacou pelos trechos de vídeo, que davam grande realismo ao jogo, e pelo conteúdo adulto, que incluía cenas bem picantes. É belíssimo também em termos de produto, com uma capa e com um encarte muito bem trabalhados.

Voyeur (Interplay, 1994) para MS-DOS | MARIO CAVALCANTI

Voyeur (Interplay, 1994) para MS-DOS | MARIO CAVALCANTI

Voyeur faz parte da Era de Ouro da Multimídia no PC, período que eu simplesmente amo, quando havia muitas descobertas e experimentações em termos de entretenimento multimídia e de jogos interativos. O vídeo abaixo mostra o que estou tentando dizer.

Outpost (Sierra, 1994) para DOS e Windows 3.1

Outpost é um jogo de simulação de construção e gerenciamento (com uma bela pitada de ficção científica) lançado em 1994 pela Sierra On-Line para DOS e Windows 3.1 (e posteriormente, ainda no mesmo ano, para o Macintosh). Este é o CD-ROM original em inglês.

Outpost (Sierra On-Line, 1994) para DOS e Windows 3.1 | MARIO CAVALCANTI

O jogo tem perspectiva isométrica e nele o jogador está no controle de uma missão de colonização em um planeta, visto que a vida na Terra está perto da extinção devido a ameaça de um asteroide. Reza a lenda que um ex-cientista da NASA fez parte do time de game design de Outpost. O título teve uma continuação, chamada de Outpost 2: Divided Destiny.

Outpost (Sierra On-Line, 1994) para DOS e Windows 3.1 | MARIO CAVALCANTI

Outpost (Sierra On-Line, 1994) para DOS e Windows 3.1 | MARIO CAVALCANTI

Um jogo que é fruto de mais uma grande softhouse que fez sucesso entre micros domésticos dos anos 80 e nos PCs nos anos 90. Destaque para o encarte do CD. Gosto muito da arte.

Rodando o Windows 3.11 no DOSBox

Fala, pessoal! Recentemente divulguei aqui no blog e em meu perfil no Facebook um interessante emulador do Windows 3.11 para navegadores. Ele é bom, por exemplo, para matar rapidamente a saudade de jogos nativos como Minesweeper (Campo Minado) e Solitaire (Paciência). Mas se você pretende ir além em termos de nostalgia (e pretende ficar na seara da emulação), existe uma solução bem mais atraente.

Ainda na mesma vibe nostálgica de Windows 3.11 — e se você pretende, assim como eu, montar um verdadeiro acervo de programas e jogos nativos do sistema —, recomendo este pack “ready-to-use” de Windows 3.X para o DOSBox. Basta baixá-lo e descompactá-lo na raiz do seu DOSBox. Depois, é só digitar “windows” e um abraço. Não requer instalação, nem nada do tipo, mas tem alguns detalhes importantes que você deve observar para uma emulação mais fluída (leia abaixo — e estou supondo que você já use o DOSBox).

Eu já mantinha em minha máquina uma pasta do DOSBox com diversos jogos de MS-DOS. O que fiz foi criar uma subpasta “Games” dentro da pasta “Windows” e ir descompactando nela jogos free e shareware nativos do Windows 3.x baixados dessa excelente coletânea do Internet Archive. Sim, aqueles jogos criados exclusivamente para o sistema operacional, como Chomp, Bang! Bang!, Pipe Dream, Klotski, Monopoly, Rattler Race, Hyperoid, Hextris, Reversi, Roulette, TetraVex e muitos outros. São mais de mil jogos de Windows nessa coletânea (é preciso ter uma conta no Internet Archive para baixar os arquivos).

Rodando o Windows 3.11 no DOSBox | MARIO CAVALCANTI

Como nem tudo são flores, não demorou muito para eu esbarrar com o primeiro (e até agora único) problema: ao abrir o Gerenciador de Arquivos e rodar o Chomp (o simpático clone de Pac-Man para Windows 3.11), o jogo estava absurdamente rápido, a ponto de ficar injogável. Isso devido aos CPU cycles. Após algumas tentativas frustrantes de configuração do DOSBox para normalizar essa questão, encontrei as opções perfeitas para dois parâmetros importantes do config do DOSBox: cycles e cputype. O primeiro estava setado para “auto”, que, segundo o próprio DOSBox, tenta “adivinhar” os ciclos que o jogo precisa (pode funcionar com jogos de DOS, mas não funcionou muito bem com os de Windows). Então setei o parâmetro cycles para “fixed 4000” (seguindo uma dica do próprio DOSBox), estabelecendo 4 mil ciclos de CPU fixos. Já o parâmetro cputype estava setado também para “auto”, e então mudei para “386_slow“. As opções possíveis para esse parâmetro são: “auto”, “386”, “386_slow”, “486_slow”, “pentium_slow” e “386_prefetch”. Legal, não? Confesso que não brinquei com as outras opções do parâmetro cputype, pois “386_slow” me serviu muito bem. Após salvar o config e rodar o Windows 3.11 novamente, o Chomp e os outros jogos rodaram perfeitamente.

Rodando o Windows 3.11 no DOSBox | MARIO CAVALCANTI

Notem na imagem abaixo que agora a barra de título da janela informa o novo status: ciclos fixos e CPU 386. Um parênteses: se você notou no config  acima a dica de usar CTRL + F11 e CTRL + F12 para, respectivamente, diminuir e aumentar os ciclos, saiba que isso não funcionou como esperado, fazendo o Chomp ficar hora lento, hora rápido. Só consegui mesmo uma velocidade agradável (e sem precisar mexer em mais nada) alterando os parâmetros cycles e cpu type. Ou seja, basta fazer essa configuração uma única vez e nunca mais.

Rodando o Windows 3.11 no DOSBox | MARIO CAVALCANTI

Por fim, se você sente saudade não só dos jogos, mas também de algumas aplicações freeware e shareware nativas do Windows 3.X, recomendo acessar essa outra coletânea do Internet Archive, que é bem mais extensa e, além de jogos, contém também aplicativos, utilitários, ferramentas e coisas do tipo. Muitos desses programas (assim como vários dos jogos mencionados acima), eu obtive nos tempos áureos em softhouses ou a partir de coletâneas de shareware em CD-ROM (inclusive você pode normalmente rodar programas de um CD, bastando acessá-lo pelo File Manager). Saudades dessa época. Experimentem aí. Para alternar entre o cursor do Windows 3.11 e o do seu sistema operacional, basta pressionar a tecla Esc ou Alt + Tab. Qualquer dúvida ou opinião, escrevam aí nos comentários.

Rodando o Windows 3.11 no DOSBox | MARIO CAVALCANTI

Em tempo: uma coisa muito bacana desse Windows 3.11 ready-to-run é que qualquer modificação que você faça nele permanecerá, o que inclui papel de parede, esquema de cores, disposição das janelas e novas pastas criadas. As mudanças não se perdem quando você sai do ambiente.